18/12/2008

Mértola Vila Museu

No passado fim-de-semana prolongado de 01 de Dezembro de 2008, realizou-se mais um passeio de BTT do cada vez mais dinâmico grupo BTTANOSSAMANEIRA. Desta vez rumámos a Sul, escolhendo a Vila de Mértola como o nosso destino, onde passámos uns dias em que o convívio e a prática do BTT se fundiram numa união em que a gastronomia local serviu de fonte de energia.
Vila de Mértola, região onde se situa o Parque Natural do Vale do Guadiana, situada no Baixo Alentejo, distrito de Beja, e atravessada de norte a sul pelo rio Guadiana. Mértola é um museu ao ar livre com vários núcleos de interesso histórico.
Povoação muito antiga, Mértola foi porto fluvial do tráfego mediterrânico e carrega a História consigo. Durante as ocupações romanas e árabes, o Guadiana era uma importante rota comercial e Mértola um local de destaque.
Relativamente aos monumentos históricos há a destacar a Igreja matriz de Mértola, consagrada a Santa Maria da Assunção que remonta ao Século XII. Com grande destaque visual de qualquer ponto da Vila, surge o Castelo de Mértola, a maior parte do qual data do século XIII, apesar de ter sido edificado sobre fundações mouras.
Após esta breve descrição histórica de Mértola, passamos a relatar a história da passagem do nosso grupo de BTT por esta Vila Museu. Como a gastronomia faz parte da essência deste grupo, as hostilidades iniciaram-se à mesa do Restaurante O Repuxo, no sábado à noite, onde todos os elementos do grupo puderam degustar uma deliciosa refeição, composta por pratos tradicionais desta região, acompanhados de um verdadeiro néctar Alentejano, que proporcionaram momentos de boa disposição e alegria.
Após a refeição, o grupo dirigiu-se para Residencial Beira-Rio, no centro da vila, que foi adoptada como nosso quartel-general. Sem luxos que se vejam, ainda assim, os quartos são muito acolhedores podendo-se desfrutar de uma vista fantástica para o Rio. Como já vem sem hábito nestes passeios, um grupo restrito de noctívagos, decidiu explorar os encantos nocturnos da Vila de Mértola, indo à descoberta de um bar acolhedor para poder desfrutar de uma (s) boa cervejola. O encanto foi tal, que para alguns a noite durou até às 4 da madrugada, conduta que se reprova veemente, pois em nada é compatível com a postura de desportistas.
No domingo o despertar foi bastante ensolarado, apesar de gélido, contrastando com os dias chuvosas que antecederam a este passeio. O ponto de encontro foi por volta das 8.30 h na sala do pequeno-almoço, onde o grupo se preparou para as horas de esforço que iriam seguir.
Baterias carregadas, procedeu-se à colocação das bicicletas nos carros, preparou-se a logística das malas e equipamentos, arrancando-se de seguida para a aldeia de Fernandes, onde os nossos cicerones nos aguardavam para o inicio do passeio.
É nestes momentos que sentimos um enorme apelo para cada vez mais pedalarmos por este belo Alentejo. Temos que expressar a nossa enorme gratidão pela amabilidade e hospitalidade demonstrada pelo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Mértola Sr. José Palma, que prontamente se disponibilizou para nos guiar nestas pedaladas pelos trilhos do seu Concelho, coadjuvado pelo seu primo Luís e o seu futuro genro Márcio. Gesto unicamente ao alcance de um Povo Generoso como o Povo Alentejano é.

Desmontadas as bicicletas e preparada a logística deu-se início ao périplo por terras de Mértola, sem antes as objectivas captarem a tradicional fotografia de grupo, junto ao café mais famoso da aldeia o café Sportinguista, para gáudio de muitos e angústia de outros. Montadas as bicicletas iniciou-se o passeio por estrada de alcatrão até á saída da aldeia de Fernandes, dando-se passado poucas dezenas de metros a incursão por terrenos de tão agrado do nosso grupo – a terra batida. Agora começámos a desfrutar das paisagens emblemáticas do Alentejo, com a sua diversidade cromática e seus cheiros característicos. O grupo rolava a um ritmo bastante aceitável para a altura da época, com prestações bastante homogéneas denotando uma competitividade assinalável, sendo de destacar a prestação do único elemento feminino do nosso grupo a Helena sempre com um desempenho exemplar. O trajecto desenrolou-se em estradões de macadame compacto com pouca humidade apesar dos anteriores dias chuvosos, sendo praticamente plano, intercalado por algumas subidas de grau de dificuldade baixa/média, propiciando a prática da resistência e da endurance, e permitindo rolar-se a velocidades assinaláveis.
O ponto alto do passeio, aconteceu na passagem pelas extintas Minas de São Domingos, tendo o grupo percorrido parte do trajecto da linha férrea que servia de transporte do minério das minas até ao porto fluvial do Pomarão, onde este era colocado em barcos e transportado para os seus destinos. Todo o grupo sentia – se pequeno pela grandiosidade e especificidade das paisagens que este local nos proporcionava. Paisagens lunares dignas de qualquer filme de ficção científica.
As Minas de São Domingos foram consideradas no século XIX umas dos mais importantes centros de extracção de cobre da Europa. Hoje as minas estão desactivadas, como de resto acontece desde 1967, contudo, muitas pessoas continuam a visitar esta antiga comunidade industrial. Aqui tudo foi construído e pensado em função desta actividade. Casas, estradas, e a linha de caminhos-de-ferro, atrás referida foi a primeira em Portugal. Podemos verificar que foram construídos enormes bairros mineiros onde nada faltava, nem sequer um campo de futebol, e outros edifícios de apoio.

Após mais uma breve paragem para repor energias, como tanto este grupo gosta de fazer, iniciámos o regresso para a aldeia de Fernandes, sendo que devido a adiantado da hora, e uma vez que o almoço nos esperava, decidiu-se alterar-se o percurso por uma caminho alternativo mais curto, mas que implicava rolar alguns quilómetros em piso de alcatrão.
Deve-se referir que os últimos 10 km do percurso foram de um grau de dificuldade extraordinário, pois tivemos que enfrentar rajadas de vento contra bastante forte, tornando-o bastante penoso. No entanto o almoço que de seguida ira acontecer, serviu de elemento aglutinador de forças para chegar ao nosso destino. Para registo futuro ficam os resultados deste passeio:


Distância total: 40,88 km;
Tempo: 2:50:00 h;
Velocidade média: 14,50 km/h;
Velocidade máxima: 49,50 km/h;

Após um banho retemperador na Residencial Beira-Rio, o grupo regressou de novo a Aldeia de Fernandes, e agora com todos os elementos da comitiva, para desfrutarmos do merecido almoço no Restaurante Paraíso, o qual decorreu nem espírito de boa disposição, convívio, e bastante apetite. O ponto alto do mesmo aconteceu quando o grupo decidiu presentear o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Mértola Sr. José Palma, com uma lembrança típica de Alcobaça, uma garrafa de Ginjinha, como agradecimento pela sua generosidade e hospitalidade. Após o almoço o resto da tarde foi passado numa visita ao porto fluvial de Pomarão, onde se fizeram apostas para descobrir em qual das margens seria Espanha .
Durante a tarde começou o regresso a casa para muitos dos participantes desta aventura, mas alguns resolveram desfrutar de mais uma noite em Mértola, com mais um jantar no restaurante o Brasileiro. Na Segunda de manhã lá deixámos Mértola, uns directos a casa outros ainda foram almoçar a Serpa ao Lebrinha e beber provavelmente a melhor imperial de Portugal (que inveja).


Pedro Costa

4 comentários:

João disse...

A história do café sportinguista "está mal contada". O café está dividido em duas salas e falta referir que outra é a do Glorioso SLB. O Cronista que não leve a mal.
Boas Festas para todos são os votos da Guida e do João.

Pedro disse...

Meu caro Amigo João

Como é obvio aquela foi uma provocação para picar o meu amigo. Já imaginava que eras o primeiro a comentar. Assumo a falta de imparcialidade, aliás como a maior parte da imprensa desportiva. Desejo-te um Santo Natal e em 2009 lá nos encontramos nas pedaladas.
Pedro Costa

dcoelho disse...

Mais um grande passeio do Grupo Bttanossamaneira, Mértola é uma Vila linda e hospitaleira. Muito obrigado ao staff do Comandante José Palma, que foram espectaculares e proporcionaram-nos uns momentos de boa disposição e convívio salutar. Realmente aquela passagem pelas Minas de S. Domingos foi marcante, aquela paisagem é bem diferente daquela a que estamos habituados a ver. Foi uma excelente maneira de acabar 2008.

Abreijos

José Palma disse...

Fiquei muito feliz por terem ido muito satisfeitos com o que por cá visitaram mas Mértola já tem mais um motivo de interesse foi descoberto um monumento que é unico na peninsula.
Desejo-vos um espetacular 2009 são os votos deste AMIGO José Palma